Era uma vez uma casa que detestava barulho. Quando a rua ficava barulhenta ela simplesmente se mudava. Isso mesmo, ela tirava as bases do chão e ia pra outro terreno.
Era um problema.
Um dia um homem ocupado e solitário foi morar nela.
Trabalhava no centro e vivia correndo e ocupado.
Atarefado e afobado.
A rua foi crescendo, veio o asfalto, os carros e os ônibus
E uma noite a casa foi embora, tirou os alicerces e mudou-se
Ao acordar o homem solitário tomou banho as pressas, vestiu-se e saiu correndo.
Parou de uma vez. Onde estou?
Sonhando?
Um pesadelo?
Retornou a casa, entrou e foi direto ao banheiro. Abriu o chuveiro e tomou um novo banho com roupa e tudo.
Mudou de roupa e saiu. Tudo igual.
Resolveu ir trabalhar porque estava tarde.
Passou o dia pensado e resolveu ir direto pro endereço dele.
Quando desceu do ônibus, estava lá o terreno vazio sem a casa.
Era verdade então e foi andando até a nova rua e lá estava a casa.
Cansado resolveu entrar e dormir, esquecendo ou achando que estava doente.
O tempo passou e a cidade começou a crescer.
A rua ganhou asfalto, carros, buzinas, ônibus e muito barulho.
O homem deixou o jornal sobre a mesa e na pagina aberta a casa viu um terreno lá longe, com um cajueiro e muito bonito.
Resolveu ir pra lá, aquele paraíso.
Quando da noite retirou os alicerces e foi para aquele terreno lindo e tranquilo.
O homem solitário e afobado acordou e dentro da rotina saiu pra trabalhar e ao abrir a porta viu aquele nova rua, sem asfalto, sem ponto de ônibus e sem barulho.
Arregalou os olhos e disse: de novo, não!
Andou muito para achar um ponto de ônibus, tirou o paletó e teve tempo de ver como era lindo o verde, as arvores e passou o dia pensado naquilo.
Quando voltou ao fim do trabalho , desceu no ultimo ponto de ônibus e foi andando, sem antes passar na velha rua e conferir o terreno vazio.
Olhando pra casa e disposto depois de caminhar, coisa que não fazia a anos o homem solitário olhou e ficou pensando em ter uma companhia e armar uma rede no cajueiro do quintal.


